Da adversidade à oportunidade: Os entraves para a transformação digital na saúde

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Imaturidade de processos ainda muito analógicos e falta de profissionais digitalmente capacitados para liderarem a mudança ainda são grandes obstáculos para a Transformação Digital na Saúde. Saiba o que podemos fazer diante deste cenário para tornar a transformação possível.

Em uma live do canal da Health Innova Hub com Fernando Cembranelli, nossa CEO, Isabela Abreu, conversou sobre como a crise causada pela pandemia do coronavírus no Brasil pode ser uma oportunidade para acelerar a Transformação Digital na Saúde.

Com base nisso, criamos uma série de artigos para te deixar atualizado sobre os principais assuntos relacionados à saúde digital, durante este momento de crise.

No primeiro deles, falamos sobre a relação entre a transformação digital e a revolução digital, que traz modelos de negócios e novos perfis de consumidores. Descubra agora quem é o novo consumidor de saúde e como se preparar para atendê-lo.

No segundo, vimos como a telemedicina tem sido utilizada como forma de propiciar a aproximação entre médicos e pacientes e quais os desafios para o futuro da telemedicina e saúde digital no Brasil.

Com o isolamento social, as empresas se viram obrigadas a recorrer ao uso de tecnologias digitais para darem continuidade ao seus trabalhos, agora à distância. No contexto da saúde, uma alternativa muito utilizada tem sido a telemedicina.

Essa digitalização forçada está sendo, sem dúvidas, um primeiro passo rumo à Transformação Digital de empresas que ainda estavam resistindo às mudanças.

Embora o contexto de adversidade possa ser uma oportunidade para a aceleração da Transformação Digital na saúde, ainda há muitos obstáculos para tornar essa mudança uma realidade em todo o país.

Descubra quais são alguns dos principais entraves na Transformação Digital na saúde hoje, em nosso último texto da série.

Os entraves na Transformação Digital na saúde

Uma dificuldade que muitas organizações de saúde estão enfrentando no processo de Transformação Digital, que ficou bastante evidente neste período de quarentena, é a imaturidade de seus processos.

Apesar de parecer um mercado já bastante tecnológico, a realidade mostra que não é bem assim, pois muitos processos básicos são feitos de forma ainda analógica.

Um exemplo são as instituições que ainda fazem escalas médicas em planilhas de Excel. Se antes da pandemia este já não se mostrava um método de organização eficaz, agora, em um cenário de sobrecarga extrema, com médicos trabalhando por 18 horas diárias ou mais, o modelo se tornou insustentável.

Quando médicos na linha de frente precisam ser subitamente afastados por grau de estresse elevado, ou por contaminação pelo COVID-19, o controle das escalas médicas e de ajustes na escala precisa ser feito de maneira rápida, integrada, prática e eficiente, para evitar erros e gaps nos plantões.

Fazer isso sem tecnologia é inviável. É necessário buscar por soluções digitais, em vez de sobrecarregar ainda mais as equipes com trabalhos manuais e burocráticos que geram muito esforço por parte das instituições e podem não trazer os melhores resultados.

A pauta da Transformação Digital, apesar de em alta neste momento de necessidade, não é uma pauta recente. Empresas analógicas já vêm tentando implementar a Transformação Digital há algum tempo, no entanto, a realidade é que 70% delas falha neste processo.

O digital é um caminho sem volta. Para que a mudança seja real, precisamos, além de ferramentas digitais, de profissionais capacitados para liderá-la.

Os profissionais de saúde do futuro

 O mercado tem, cada vez mais, valorizado profissionais com competências e formações múltiplas. São requisitados talentos com olhar multidisciplinar, e aqueles que se adaptam facilmente a equipes multiprofissionais.

O cenário é de crescimento exponencial, internacionalização das empresas e maior concentração de profissionais de tecnologia no sudeste do país ou no exterior. Assim, a tendência de modelos de home office e trabalho com equipes remotas tenderá a crescer. As empresas, inclusive as da área da saúde, devem se preparar para este desafio.

Para viabilizar a mudança, será preciso amadurecer a gestão das organizações, criar políticas sólidas de home office e mudar o mindset de gestores e líderes.

Será preciso também educar os profissionais a se adaptarem a este novo modelo, para que a gestão de pessoas não seja mais um obstáculo na transformação digital na saúde.

Trabalho remoto na área da saúde

Na saúde, é preciso avaliar quais atividades são passíveis de serem realizadas à distância. Para os médicos, por exemplo, pré-consultas e consultas de rotina podem ser realizadas com ferramentas de telemedicina, não de forma substitutiva, mas complementar.

Já para profissionais da equipe administrativa, o modelo de equipes remotas é um caminho sem volta. Em alguns hospitais, a tendência tem sido considerar o modelo de equipe administrativa remota como regra. Ou seja, ter 100% da equipe, principalmente a de setores como o setor financeiro, de faturamento e comercial, trabalhando remotamente para o hospital.

O modelo de equipes remotas pode gerar até mesmo redução de custos para a empresa, que passa a ter menos preocupação com estrutura física para receber os colaboradores.

Assim, a estrutura de mesas fixas para cada colaborador da empresa, com a necessidade de ampliação do espaço físico conforme o crescimento da equipe, tenderá a deixar de existir. Com a equipe revezando os dias no escritório, é possível fazer um melhor uso do espaço.

Com os colaboradores fora do escritório ou do hospital, as métricas de produtividade baseadas em cumprimento da folha de ponto parecem sem sentido. Pode ser mais eficiente olhar para a entrega e para os resultados alcançados por aquele profissional, por exemplo.

O profissional do futuro necessita de maior flexibilidade, seja em relação aos horários de trabalho, ou ao trabalho remoto. Por isso, os gestores precisam começar a reinventar seus modelos de gestão para atender às demandas desta nova geração de profissionais.

Inclusão digital na saúde

Além de novos modelos de gestão, a inserção da tecnologia na saúde pede também adaptação dos profissionais. O modelo analógico deve dar lugar ao modelo digital.

Isso implica na necessidade de um olhar mais aberto para a tecnologia. Mas isso não significa dominar todas as linguagens de programação, e sim ter uma noção e saber liderar times da área.

Para os médicos, a Transformação Digital na Saúde traz a necessidade de investimento em capacitação profissional para o uso das novas tecnologias. A regra vale tanto para estudantes e jovens profissionais, quanto para profissionais já há mais tempo no mercado.

Para os gestores de saúde, além de capacitação para o uso, é necessário uma capacitação para que sejam capazes de atuar ativamente na construção e aplicação dessas novas tecnologias. É preciso saber falar a língua da saúde digital.

A união entre gestores, médicos e profissionais de tecnologia é fundamental para todo o setor de HealthTech, para que possamos criar soluções verdadeiramente sustentáveis e com embasamento técnico, ético e científico.

Por isso, a inclusão digital dos médicos, sejam eles estudantes, residentes, ou profissionais mais experientes é essencial. O investimento em capacitação profissional e atualização dos currículos universitários deve ser pauta prioritária para os profissionais da categoria.   

Os gestores de saúde e médicos do futuro devem ter este perfil mais híbrido e aberto. Isso permitirá a experimentação, debate e participação ativa na criação de novas ferramentas tecnológicas, rumo à Transformação Digital da área da saúde.

Conclusão

O cenário causado pelo coronavírus trouxe a oportunidade de aquecer a discussão sobre a necessidade da Transformação Digital nas empresas. Inclusive na área da saúde. Assim, mesmo na adversidade, temos a chance de colher também bons frutos e nos prepararmos para os desafios do futuro.

Você pode conferir o bate-papo que gerou essa série de artigos, no YouTube do nosso parceiro Health Innova Hub!

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